PARTE IV — Os Baobás: Memória, Resistência e Presença do Estado no Campo
A metáfora dos Baobás
Há árvores que não crescem apenas em altura. Crescem em tempo.
Os baobás, conhecidos por sua longevidade e resistência, são símbolos de memória viva. Suas raízes profundas e seus troncos largos guardam histórias, atravessam gerações e permanecem de pé mesmo diante das intempéries mais severas. Não são apenas árvores: são testemunhas.
É a partir dessa imagem que se propõe compreender uma dimensão pouco explorada da extensão rural brasileira: sua dimensão humana, histórica e simbólica. Os "Baobás" da extensão rural não são instituições, nem políticas, nem programas. São pessoas.
São extensionistas que, ao longo de décadas, sustentaram a presença do Estado no campo brasileiro, muitas vezes em condições adversas, enfrentando precariedade institucional, escassez de recursos e invisibilidade política.
A presença do Estado com rosto e nome
Se, ao longo deste trabalho, a extensão rural foi analisada como política pública, campo de disputa e instrumento de mediação estatal, neste momento ela se revela em sua forma mais concreta: a presença do Estado encarnada em sujeitos.
A extensão rural, nesse sentido, não é apenas uma política. É uma prática social realizada por homens e mulheres que, no cotidiano, constroem pontes entre o Estado e o campo.
Com mais de um século de vida (nascido em 1922), Glauco Olinger não representa apenas uma trajetória individual, mas a própria história da extensão rural no Brasil. Sua presença atravessa diferentes períodos históricos, regimes políticos e modelos de desenvolvimento, mantendo-se como referência de compromisso público e dedicação ao campo.
"Extensão rural é presença do Estado onde o Brasil mais precisa." — Glauco Olinger
Sua célebre afirmação sintetiza, com precisão, o sentido profundo da ação extensionista. Mais do que levar tecnologia ou conhecimento, trata-se de levar Estado, cidadania e dignidade.
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Glauco Olinger, Osman Francischetto de Magalhães (1931–2026) e José Paulo Ribeiro (1925–2014)
Ao lado de Glauco Olinger, muitos outros nomes compõem essa floresta de memória e resistência:
Entre os reconhecidos, destacam-se figuras como Hur Ben, Argileu Martins e Zé Silva, que, cada um à sua maneira, contribuíram para a consolidação da extensão rural como prática pública comprometida com o desenvolvimento do campo.
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Argileu Martins da Silva e Hur Ben Corrêa da Silva
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José Silva Soares, o Zé Silva. Ex-presidente da Emater-MG, ex-presidente da ASBRAER, membro nato da ABER e Deputado Federal.
Esses sujeitos, embora muitas vezes invisibilizados nas narrativas institucionais, constituem a base concreta sobre a qual a extensão rural se sustenta.